Qual a função da Filosofia?

[...] a contribuição específica da Filosofia que se coloca ao serviço da liberdade, de todas as liberdades, é a de minar, pelas análises que ela opera e pelas ações que desencadeia, as instituições repressivas e simplificadoras: quer se trate da ciência, do ensino, da tradição, da pesquisa, da medicina, da família, da política, do fato carcerário, dos sistemas burocráticos, o que importa é fazer aparecer a máscara, deslocá-la, arrancá-la… (Châtelet, s.d., p. 309)

Cada disciplina acadêmica tem sua função bem estabelecida, a História reflete a experiência humana ao longo do tempo, Geografia analisa a influencia do homem no meio ambiente, enquanto que a Sociologia estuda a interação entre o individuo e o social. Entretanto, qual seria a função da filosofia? E por que ensiná-la no ensino médio?

Ao incluir novamente a filosofia no ensino médio pouco se pensou sobre qual o objetivo desta matéria no currículo escolar, neste sentido diversos professores lograram transformar suas aulas na simples transmissão da biografia e das reflexões de diversos pensadores, esquecendo que o pensar filosófico vai muito além da simples transmissão de conhecimento.

Em seu texto, o filosofo Châtelet parece atribuir duas funções principais para a inclusão da filosofia no ensino médio:

Em nosso cotidiano somos constantemente “bombardeados” pela ideologia dominante que tentam impor determinada visão de mundo para a população; influências estas oriundas de diversas fontes como: religião, ciência, mídia, educação, tradição entre outras… Cabe ao filósofo a tarefa de auxiliar o educando a perceber e problematizar a imposição desta realidade, analisando o quanto de suas atitudes e conceitos são impostas pelo senso comum sem a devida analise.

Além disso, desde os tempos socráticos o filosofo não se contenta em apenas denunciar os problemas analisados, mas assume um papel mais pratico tentando alterar a realidade; sendo esta a segunda função da filosofia proposta por Châtelet: conhecer a realidade para transformá-la. Garantir os recursos necessários para o individuo alterar sua condição e galgar sua autonomia, sua liberdade!

Com esta proposta Châtelet nos propõe uma importante reflexão sobre como deveria ser uma aula de filosofia no ensino médio: um espaço plural para analise e, quiçá, mudança da realidade imposta; onde o conhecimento das obras dos filósofos serve muito mais para induzir o educando à prática do pensar filosófico do que à decoreba das máximas destes pensadores.

Por Luiz Claudio Gonçalves

Que deixou de tomar um chopinho com Sócrates para evitar o cicuta!!!!

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